Alabama Tapes #3


Na vizinhança polonesa de Greenpoint, no bairro do Brooklyn, em Nova Iorque, encontra-se um pequeno oásis para os amantes dos brechós e das lojas de discos de vinil. No número 87 da Guernsey Street, fica a pequena e charmosa Co-Op 87, anexa a um prédio de três andares da gravadora Mexican Summer (Ariel Pink, Connan Mockasin). A loja oferece, desde 2011, tesouros dos mais variados gêneros: rock, soul, jazz, hip-hop, house, disco, techno, bem como seções especiais para pesquisas étnicas mais aprofundadas. 

Comandada por Ben Steidel e Mike Catalano, o figura que me atendeu no dia da primeira visita, a "Co-Op" parece pequena à primeira vista, mas aí você percebe que passou boa parte do seu dia gastando os dedos nas prateleiras. Entrei de manhã e saí fim da tarde, sem ver o tempo passar. A quantidade de achados é enorme e o atendimento é tão "roots", que dá vontade de ficar por lá. 

Catalano, em um momento, pergunta se eu estou bem e diz que precisa almoçar. Respondo que tudo certo e que posso voltar mais tarde, dar um rolê pela região. Mas, ele insiste para eu ficar - e eu fico, sozinho na loja. Um tempo depois ele volta e reclama, com a mão na barriga, que "pegou um pouco pesado". Continuamos batendo papo sobre música e eu sigo no meu garimpo, como se fosse alguém do bairro ou da família, alguém de confiança que poderia até mesmo ter as chaves da loja. 

E foi nesse clima, repleto de boas vibes, gente-bonice e ecletismo, que convidamos Ben Steidel, um dos sócios da Co-Op 87, para preparar uma mixtape exclusiva aqui pro Alabama Tapes.

Ben, que também é integrante da banda Lemonade, do Brooklyn, aproveitou a deixa e mandou umas dicas muito bacanas de garimpagem e de lugares legais para visitar, para comer e se divertir lá na grande maçã.

Press play and divirtam-se! 


 



 




A.H.: Você se lembra do seu primeiro contato com a música e, em especial, do ponto onde você tem um clique e pensa "mmm...eu gosto disso"?

Ben: Sim, eu cresci com música. Meu pai me fazia mixtapes e eu estava obcecado com o pop dos anos 80 ainda muito novo. Quando eu tinha 11 anos, meu amigo me emprestou e deixou gravar um single em fita cassete de "Come As You Are" do Nirvana e foi provavelmente a primeira música que soou como algo "do meu mundo". Em alguns anos eu já estava aprendendo guitarra e tocando em uma banda. Eu só fui começar a tocar como DJ e explorar a dance music bem mais tarde, mas a obsessão pela música começou desde muito jovem. Meus pais mais tarde tornaram-se professores de música, e sempre apoiaram meus interesses musicais.



 

A.H.:  Como e quando você começou a tocar em bandas? Quais foram os momentos mais legais?

Ben: Minha primeira banda começou quando eu tinha uns 13 ou 14. Grunge e pós-punk anos 90. Ninguém era muito bom. Mais além eu acabei indo tocar em uma banda emo/hardcore, que viajou o mundo inteiro. Tivemos momentos incríveis tocando na Europa e Japão, mas eu não me empolgava tanto com música naquela época. Alguns dos primeiros shows com o Lemonade são meus favoritos, tocando em pequenos bares e festas e todo mundo dançando como louco. Tocar no Primavera Sound em Barcelona, também, foi espetacular.  







A.H.:  Como a Co-Op 87 começou? Quem são as pessoas por trás da loja?

Ben: A Co Op surgiu quando eu e outros dois caras tivemos a chance de ocupar um espaço no prédio alugado pela gravadora Mexican Summer (Connan Mockassin). Um dos caras era o Mike Sniper, que hoje toca o selo Captured Tracks (Mac Demarco), e o outro era o Mike Catalano (foto), que tocou em várias bandas locais. A gente sempre falava em abrir uma loja em algum momento, e quando o espaço apareceu, a gente agarrou a chance. Sniper acabou saindo, então somos os dois donos agora.







A.H.:  Como você vê a Co-Op na cena dos discos em NY hoje? Quem são seus clientes? Djs, colecionadores, gente "comum"?

Ben: Tem MUITA loja de disco em NY hoje. Vemos muitas notícias de lojas clássicas de Manhattan fechando, mas, ao mesmo tempo, uma tonelada de lojas vêm abrindo no Brooklyn. E todas são diferentes entre si. Nós buscamos ter um pouco de tudo. É difícil manter uma loja com foco em um tipo particular de som, então, mesmo em um espaço reduzido, a gente tenta ter algo pra todo mundo. Nossos clientes são uma grande mistura. De colecionadores mais "sérios" até gente que acabou de adquirir um toca-discos e está começando sua coleção. E muitos turistas também.







A.H.:  Como um garimpador de discos experiente, quais são suas dicas de ouro pra quem está começando sua coleção?

Ben: Dê chances. Não ache que discos baratos são ruins, nem que discos caros são sempre bons. Caçar discos bem conhecidos ou que todos estão procurando pode não ser tão gratificante. Não entre em uma loja de discos procurando algo específico. Deixe os próprios discos te acharem.





A.H.:  Você tem conexões com música brasileira? Tem alguns artistas que gosta? 

Ben:
 Quando eu era mais novo, na metade dos anos 2000, havia um enorme interesse pela Tropicália, Mutantes, Gal Costa, etc. Eu passei muito tempo ouvindo isso, mas não mais tanto hoje em dia. Hoje eu ouço mais coisas pop brasileiras dos anos 80, procurando por sons mais funky ou baleáricos. Há pouco tempo eu ouvi "Doce Mistério", da Fafá de Belém, e eu amei. Tem uma linha de baixo incrível. Eu não tinha ideia de que ela era tão conhecida no Brasil, definitivamente não é muito conhecida aqui. 








A.H.:  Quais são seus lugares favoritos em Williamsburg para: tocar, beber, fazer compras ou fugir de tudo?

Ben: Williamsburg anda tão lotada de turistas e gente rica, que eu tendo a evitar. Passo mais tempo em Greenpoint (até por conta da loja) e vou muito a Bushwick. Pra tocar, festar, dançar não tem nada igual ao Good Room, Trans Pecos, Bossa Nova Civic Club e claro, as festas que rolam em lofts e galpões secretos. Eu gosto de comer no Greenpoint Fish and Lobster Co. (Foto abaixo)









O Transmiter Park em Greenpoint é um bom lugar pra relaxar, não é muito cheio nem agitado. E é claro, a Lot Radio (gif abaixo) é umas melhores coisas que já aconteceram na vizinhança, um lugar muito divertido pra ir mesmo quando não estou tocando.






CONECTE //
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CURADORIA //
www.easytiiger.com


TEXTOS //
André Sakr






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