Alabama Tapes #1

 
Rafael Cancian é DJ, produtor e fundador do selo About Disco Records. Seus mixes são construídos com a essência do Jazz, Soul, Funk, Disco, Afrobeate e House. 

Herbie Hancock, James Brown, Bill Whiters, Charles Mingus, Miles Davis, Dave Brubeck, Fela Kuti, são algumas de suas principais influências. Suas produções já foram distribuídas em mais de 50 países da América, Ásia, África, Oceania e Europa.

Seu selo já ganhou eologios de grandes nomes da cena como Greg Wilson, Danny Krivit, Horse Meat Disco, JKriv, Rahaan, Lenny Fontana, Dicky Trisco, Frank Booker, Max Essa. Recentemente chegou de uma Tour que durou vinte dias e percorreu os EUA de norte a sul.



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Entrevista - Rafael Cancian



De uma festa de casamento e um remix de With or Without You, do U2, surge um DJ.


Nasci no interior de São Paulo e fui criado em uma cidade chamada Araçatuba. Como toda cidade de interior, não tinha a agitação dos grandes centros, exceto por três ou quatro festas no ano que paravam a cidade e dois pequenos clubs que funcionavam só nos finais de semana. Eu sempre gostei de música, ouvia muitos discos, fitas e cds do meu pai, que sempre comprou, e desde pequeno aprendi a gostar de quase tudo: Bee Gees, Michael Jackson, Queen, Pink Floyd, Stevie Wonder, Nat King Cole, Frank Sinatra, Tim Maia, Lulu Santos e por aí vai. E foi em uma festa de casamento que eu senti que a música podia a fazer com que as pessoas entrassem em estado de alegria. Isso foi ouvindo "Bee Gees - Stayin' Alive". Eu estava na pista, tinha uns 15 anos. Depois disso, eu comecei a frequentar os clubs. Ainda não tinha idade, mas como ninguém me pedia identidade, eu entrava facilmente. Em umas dessas noites, em que eu já estava chateado por não ter mais dinheiro nem para beber um refrigerante, não ter amigos ali e por ter sido ignorado por todas as garotas, eu passei a prestar atenção na música que estava tocando. Era um remix em versão House de "U2 - With or Without You", que eu me encantei. Depois, eu disse pra mim mesmo: "quero ser DJ". Em outra noite, fui procurar o DJ residente da boate pedindo pra ele tocar a música (na época não tinha Shazam). Conversamos e ele me indicou um DJ famoso na cidade. Foi aí, que depois de tanto insistir, esse DJ, o Mario, começou a me ensinar a fazer as viradas, me mostrando as coisas e etc, que eu comecei a tocar. Foi ele também que me ajudou a começar a tocar nas festinhas e eventos.



Garimpos musicais


Fora das pistas, ando ouvindo muito Caetano Veloso, Gil Scott-Heron, algumas músicas que eu não sei classificar o gênero, mas algo entre anos 60 e 70, um álbum instrumental orquestrado do Henrik Schwarz, e incansáveis frutos de pesquisas de rotina, onde encontro grandes pérolas vindas de várias partes do mundo como África, Ásia, América Central, na maioria das vezes ligando gêneros como Soul/Disco/Funk ou local. Sobre os DJs, os meus favoritos do momento são DJ Harvey, Tony Humphries, Tiago, Hunne, Mark Seven e Eli Escobar."
 

The Boss que faz de tudo um pouco

 
O que acabou me levando a ter o selo foi a produção. O que me levou à produção foi a discotecagem, e o que me levou à discotecagem foi amor pela música. Como DJ, eu comecei todo o meu trabalho do zero, sem dinheiro ou investimento, apenas com a vontade de fazer o meu melhor, então dou muito mais peso para a discotecagem. Sou o fundador da About Disco Records, muitos me nomeiam como o "The Boss", mas na verdade eu sou o "Faz-de-Tudo", das capas, descrições, artes, atualização dos sites, página, Instagram, curadoria, administração, etc. Gosto disso e acredito que dou voz para muita gente também. O selo promete grandes emoções para esse segundo semestre, com novos artistas, de várias partes do mundo, desde as praias calientes de Cancún ao ares frios da capital alemã Berlim, além de um francês e um duo canadense.
 

Usa Tour 2016: De Araçatuba a Nova York


A minha primeira vez fora do Brasil foi uma experiência inesquecível. Eu já tinha alguns contatos nos EUA, mas o negócio foi além do que eu imaginava e na lista apareceram lugares que foram super importantes para mim. Por exemplo Detroit, que tem um histórico musical incrível e é uma cidade que sofreu grandes mudanças. Várias pessoas falaram muito mal de lá antes de eu ir, mas quando cheguei, fui muito bem recebido, toquei em um lugar que teve uma das pistas mais animadas da minha vida e ainda pude desfrutar mais dois dias do que a cidade tinha para me oferecer. Confesso que deixei um pedacinho do meu coração lá. Assim como em Nova York, que foram quatro datas seguidas, toquei desde os subsolos do Brooklyn ao Rooftop de Manhattan, e em Miami, onde toquei no clássico bairro de Wynwood. Além disso, passei por cidades que eu jamais imaginei estar, como Washington DC, tocando no lendário Eighteen Street Lounge e na Philadelphia, a melhor pista de toda tour.


05/13 - Eighteen Street Lounge - Washington, D.C.
05/14 - The Dolphin Tavern - Philadelphia, PA
05/15 - Wynwood Diner - Miami, FL
05/20 - The Whiskey Disco - Detroit, MI
05/26 - The Lot Radio - New York, NY
05/27 - Baby's All Right - New York, NY
05/28 - Black Flamingo - New York, NY
05/29 - Le Bain - New York, NY
 

Músicas que eu tocaria em:


- um casamento: Frank Sinatra - Nice 'N' Easy
- um desfile de moda: Todd Terje - Inspector Norse
- uma despedida dramática: George Benson - This Masquerade

 

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